Órama quer abrir portas de grandes gestores a investidor – Valor

Angelo Pavini | De São Paulo

Quem sempre ouviu falar dos gestores mais badalados do mercado, mas nunca teve condições de aplicar nesses fundos, tem uma chance a partir de hoje. A Órama Investimentos vai oferecer aplicações em cinco carteiras de ações e 13 de multimercados de casas famosas com Gávea, JGP, BTG Pactual, BBM, Opportunity ou IP a partir de R$ 5 mil pela internet. Se fosse aplicar diretamente em todas as carteiras, o investidor precisaria de R$ 1,420 milhão, já que a média para investir nessas carteiras é de R$ 50 mil. No Gávea e no JGP, são R$ 300 mil. Pela Órama, bastarão R$ 90 mil para ter todos.

A proposta é dar ao varejo acesso a fundos antes limitados aos milionários clientes de private banks, diz Guilherme Horn, sócio da Órama, empresa formada pelos ex-fundadores da corretora Ágora, vendida ao Bradesco em 2008. A Órama, uma distribuidora de valores, nasce com a proposta de democratizar os fundos de investimento. "Já fizemos isso com ações na Ágora", diz Horn.

Além de permitir a aplicação com um valor mais baixo, a Órama quer também oferecer serviços que auxiliem o investidor na escolha. Para isso, terá um sistema que ajudará o investidor a definir seu perfil de risco e, a partir desse perfil, indicará uma lista com três ou quatro fundos. O sistema fará seis perguntas como o apetite por risco, o tempo de aplicação estimado, a necessidade de liquidez e a rentabilidade desejada e dará automaticamente as sugestões. "Quem tiver R$ 20 mil poderá aplicar nas quatro opções e formar sua carteira", afirma Horn.

Além disso, contará com conteúdo educacional para o investidor menos experiente e explicações detalhadas sobre cada tipo de fundo. "Temos dez anos de experiência, desde a Ágora, em educar investidores", diz Horn.

A Órama representa uma novidade em um setor concentrado em bancos, que acabam oferecendo as carteiras mais sofisticadas apenas aos grandes clientes. "Com isso, os gestores independentes não conseguem chegar ao varejo, pois não contam com uma estrutura pulverizada de distribuição, enquanto o investidor menor não tem acesso aos melhores fundos do mercado", afirma Horn, que é também sócio da Personale Investimentos, empresa de gestão dos ex-sócios da Ágora – entre eles Selmo Nissenbaum, antigo controlador da corretora. Ele explica que a Órama não distribuirá nenhum fundo da Personale.

O foco inicial será em fundos multimercados e de ações. A Órama terá um fundo de cotas para cada carteira alvo. O investidor comprará contas desse fundo de cotas, que aplicará na carteira do Gávea, JGP ou BNY Mellon Arx. O fundo de cotas cobrará 0,6% ao ano de taxa de administração, que se somará à dos fundos-alvo – em geral de 2% ao ano mais taxa de performance. Cada fundo replicará também as condições de carência para resgate ou taxas de entrada ou saída das carteiras originais. "Isso elimina o risco de descasamento do fundo de cotas", explica Horn.

A Órama receberá também uma parcela da taxa de adminstração do fundo, o chamado "rebate", afirma Horn. "Mas não será isso que orientará nossa oferta para o cliente", diz. Para isso, um comitê analisará mensalmente as carteiras do mercado em busca das melhores opções de cada categoria. A partir dessa análise, elas poderão entrar na lista de sugestões da casa.

Haverá apenas uma carteira de renda fixa para o investidor deixar o dinheiro até decidir onde investir, também com taxa de administração de 0,6% ao ano. Mais adiante, a gestora pretende ampliar para outras estratégias, como renda fixa crédito e fundos de previdência.

Outra novidade serão vídeos com representantes de todos os gestores de fundos, em que eles explicam de maneira didática como funciona cada carteira. Além disso, uma vez por mês, os gestores comentarão em vídeo os resultados dos fundos e as mudanças nas carteiras. "Será uma carta mensal virtual, de no máximo 3 minutos, falando por que o fundo foi bem ou não foi e qual expectativa para o mês seguinte", diz. O projeto é criar um canal, a TV Órama, a exemplo da TV Ágora, pioneira no mercado de corretoras. "Vamos mostrar quem faz a gestão, como faz, não é como nos grandes bancos, onde não se sabe quem é o gestor", diz. "Queremos aumentar a transparência das informações".

O sistema permitirá ainda comparar as carteiras listadas e, mais adiante, as demais do mercado. "Teremos também um sistema de suporte, por telefone e por chat, para responder perguntas e as mais comuns serão colocadas no site com as respostas", diz Horn.

A expectativa da Órama é chegar a 20 mil clientes com uma aplicação média de R$ 10 mil e um patrimônio total de R$ 200 milhões no primeiro ano. "Nosso desafio será construir a marca e ganhar a confiança do mercado", admite Horn. "Foi assim com a Ágora em 2000, quando começamos a oferecer home broker, todos falavam se alguém ia por dinheiro numa empresa online e terminamos como a maior corretora do mercado", diz.

Por isso, os sócios decidiram começar a empresa tendo como base uma distribuidora de valores, uma instituição financeira com patrimônio e regulada pelo Banco Central. "O cliente faz seu cadastro conosco e transfere o dinheiro do banco para a Órama e então opera via internet", diz. Uma vantagem é que, uma vez feito o cadastro, o investidor pode trocar de fundo à vontade em um único ambiente. "Se fosse aplicar direto, seria preciso um cadastro para cada fundo." Além disso, o investidor poderá compensar as perdas entre os fundos com seus ganhos, já que o administrador é o mesmo.

O modelo da Órama é a gigante americana Fidelity, que distribui mais de 4 mil fundos. "Mas sabemos que são modelos muito diferentes", admite Horn, lembrando que nos Estados Unidos os bancos têm um papel menor na distribuição de fundos e as empresas independentes é que dominam o mercado, ao contrário do Brasil.

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Sobre Sandra

Consultora de Valores Mobiliários autorizada pela CVM, trabalhando atualmente na Órama. Criadora do site e do clube de investimento Mulherinvest. Autora dos livros A Bolsa para Mulheres (Ed. Campus) e Mulher Inteligente Valoriza o Dinheiro (Ed. Qualitymark). Formada em Matemática, MBA em Finanças e mestrado em Economia.
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